Durante a sua jornada de vida, possivelmente você encontrará dezenas de pessoas te dizendo que pessoas de sucesso costumam saber exatamente o que querem e estudam para se tornarem especialistas em determinada área, onde elaboram um plano de carreira e vão caminhando até o topo. O que acontece quando você não se encaixa nesse perfil e prefere estudar sobre os mais variados temas, sempre pulando de área em área e focando em aprender o maior número de coisas possíveis? Vai ouvir muitas vezes que isso não te levará a lugar nenhum e que como não sabe o que quer, nunca vai “subir na vida”. Comigo foi assim.

Iniciei 4 cursos de graduação em áreas completamente distintas, li livros dos mais variados temas, aprendi xadrez, desenho artístico, design gráfico, fotografia, excel, filosofia, design de moda, matemática financeira, business design e várias outras coisas que eu simplesmente achava legal e queria saber como funcionavam. Profissionalmente não foi diferente, trabalhei em diversos setores que não tinham ligação nenhuma e sempre amei começar do zero.

Aprender sozinha sempre foi um desafio divertido e empolgante, mas como todos me diziam que havia algo errado em não decidir uma “carreira específica”, por um tempo eu tentei me adequar ao sistema empresarial vigente e me tornar uma “funcionária tradicional”. Obviamente foi um desastre, eu não consegui me manter calada diante de um sistema hierárquico arcaico e de processos que ao meu ver, não levariam meu setor a crescer jamais. E mais uma vez, me senti desmotivada a seguir em um campo de trabalho que jamais me daria o desafio que eu considerava tão precioso.

Me senti uma estranha no ninho por muito tempo, imaginando que devia ter algo errado comigo, já que esse sistema funcionava tão bem para a maioria dos meus amigos. (No meio dessa crise existencial, nasceu uma empreendedora com uma vontade indomável de criar algo que fosse além dos processos empresariais monótonos que eu tanto detestava, mas isso já é uma história para outro post.)

Um belo dia, no meio de uma das minhas buscas diárias por insights, li rapidamente sobre uma autora chamada Barbara Sher que falava de um tipo diferente de pessoa, que ela denominava scanner, e que se parecia muito comigo. Imediatamente fui tomada por um frenesi sem fim, percebendo então que eu não estava sozinha no mundo e que existiam mais pessoas que como eu, não se adequavam ao status quo (fiquei muito feliz de saber que Da Vinci e Steve Jobs estavam na lista ).

Because your behavior is unfamiliar — even unsettling — to the people around you, you’ve been taught that you’re doing something wrong and you must try to change. But what you’ve been told is a mistake — you have been misdiagnosed. You’re a different creature altogether. ― Barbara Sher

A Bárbara é autora do livro Refuse to Choose!,  onde ela fala sobre multipotencialidade, descreve scanners com quem ela conviveu e explica como eles resolveram seus problemas de carreira e passaram a explorar todas as suas paixões e interesses em suas vidas. O que ela descobriu é que alguns indivíduos simplesmente não podem (e não devem) decidir sobre um único caminho. Eles são geneticamente criados para perseguir muitas áreas. Para Sher, “Scanners” são pessoas cujo tipo único de mente não se concentra em um único interesse e sim escaneia o horizonte, estando sempre ansiosas para explorar tudo o que elas vêem.

Se os Scanners não pensassem incessantemente que eles deveriam limitar sua atuação em apenas uma área, 90% de seus problemas deixariam de existir imediatamente. Scanners devem usar TODOS os seus talentos! ― Barbara Sher

Eu ainda não li o livro (apenas o sneak peak do Amazon, que me permite ler algumas páginas), mas confesso que estou louca para comprá-lo e ele já está na minha nada pequena lista de desejos. Para quem gostou e quer aprender um pouco mais sobre o tema, existe um outro livro chamado “The Renaissance Soul“, da autora Margaret Lobenstine, que também fala sobre pessoas polímatas, um outro termo usado para designar multipotenciais.

A maioria de nós tem empregos que são muito pequenos para os nossos espíritos. Com todos os nossos interesses diferentes, definitivamente não podemos ficar presos nessa armadilha. Precisamos projetar uma vida multifacetada grande o suficiente para acomodar nossas almas renascentistas. ― Margaret Lobenstine

No TED Por Que Alguns Não Têm Uma Vocação Específicaa coach de carreira Emilie Wapnick descreve o tipo de pessoa multipotencial como aquela que tem uma gama de empregos e variados interesses durante a vida. 

Multipotencial é uma pessoa com muitos interesses e possibilidades criativas. É uma palavra um pouco complicada. Fica mais fácil se a dividirmos em duas partes: “multi” e “potencial”. Também podemos usar outros termos que denotam ideia semelhante, como “polímata”, uma pessoa renascentista. Na verdade, no período renascentista, considerava-se ideal ser bem versado em múltiplas áreas do conhecimento. ― Emilie Wapnick

Basicamente, o importante é que cada um de nós entenda a sua maneira única de funcionar, que busquemos encontrar um trabalho que nos dê um propósito de vida e que possamos ser felizes sendo quem somos. 


 Quer receber mais dicas?

Curta nossa página no Facebook
Siga o nosso perfil no Instagram e no Bloglovin

Gostaria de dar alguma dica sobre empreendedorismo? Deixe um comentário e ajude outros leitores!

 

Comments

comments