Sempre acreditei que tudo que fazemos na vida deve estar de acordo com o nosso propósito e representar a nossa essência, e por essa razão, aprendi a questionar todos os sistemas e tentar entender a jornada por trás de todas as coisas. Defender as minorias e lutar pela igualdade de gêneros foi uma das razões que me fizeram escolher o curso de Gestão de Políticas Públicas, e uma vez lá dentro, percebi o quanto o empoderamento feminino era necessário.

Em pleno século 21, as revistas consideradas femininas são aquelas que falam de moda, fofoca e dieta, quando as masculinas falam de ciência, política e economia. Supermercado, feira livre e as reuniões escolares dos filhos ainda são vistos como ambientes femininos. Tudo isso parece simples, mas são formas de perpetuar a ideia de que mulheres não possuem a mesma capacidade intelectual que os homens, que são propensos ao sucesso nos campos empresariais e científicos.

Avaliar rapidamente a importância da luta pela igualdade de gêneros é muito simples, basta que você faça uma breve busca no google sobre os últimos eventos de empreendedorismo, medicina, ciência, engenharia, política ou qualquer outra área técnica, e conte o número de mulheres em destaque nos mesmos, seja como palestrante, painelista, ou qualquer cargo considerado importante. A desigualdade é gritante e tida como normal para os parâmetros atuais.

Precisamos de mais mulheres empoderadas, que possam questionar esses padrões, que identifiquem e eduquem seus filhos, amigos e familiares e dessa forma, passem a ter uma voz ativa em nosso sistema. Precisamos nos fazer ouvir, para que eventos voltados para mulheres tenham a mesma cobrança e nível de dificuldade que os demais, para que possamos ser vistas de maneira igual e celebradas pelas nossas diferenças.

Simone de Beauvoir, uma das mais influentes autoras feministas, escreveu:

Não acredito que existam qualidades, valores ou modos de vida especificamente femininos: seria admitir a existência de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. Não se trata para a mulher de se afirmar como mulher, mas de se tornar um ser humano em sua integridade.

Esse trecho foi escrito em 1967 e hoje, 50 anos depois, ele continua atual. Um século de luta e ainda precisamos nos levantar e defender uma igualdade que não deveria sequer ser questionada, tendo em vista que por natureza, somos todos iguais.

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